Mudamos o layout e isso pode gerar alguns bugs nas postagens, se perceber algum avise: contanto@informaticando–ajuda.com

Videogame: Inocente ou Culpado?

Por: João Manoel,

O Informaticando vai começar a falar mais de games, você que é um viciado (ou nem tanto) vai adorar nossos posts :-D.

De um lado, coordenação motora, raciocínio rápido e recuperação de pacientes. Do outro, sedentarismo, violência e vício. Afinal, jogar videogame provoca mais efeitos positivos ou negativos?

Video_Game Playstation 2  play3

Objetos de desejo de muitos adolescentes e muitos adultos, os videogames não param de ganhar fãns – e de criar polêmicas. Em janeiro de 2008, EverQuest e Counter-Strike foram proibidos no Brasil, engrossando a lista de jogos banidos, junto com Carmaged-don e Portal. Os partidários da proibição acusam os jogos de provocar violência e tirar os jovens da frente dos livros. Já os defensores dos jogos dizem que eles melhoram o raciocínio e a coordenação motora. Os games já são sessentões (o primeiro data de 1947), mais ficaram populares só na década de 1980.

“O uso do computador e dos videogames é relativamente novo, ainda não se tem conhecimento total de seus efeitos. Há sempre resistência a tudo que é novo”

Diz o neuropediatra Luiz Celso Vilanova, da Unifesp.

Vale lembrar que há games para todos os gostos, de fofinhos como Kirby Squeak Squad a sanguinolentos como Medal of Honor. Além disso, não dá pra comparar o jogador casual ao que não desgruda da tela – qualquer coisa feita em excesso é prejudicial.

“Tudo depende de uso que é feito deles, e não deles em si”

Diz Gisele Maria Schwartz, coordenadora do Laboratório de Estudos do Lazer da Unesp de Rio Claro. Diante de tanta polêmica, o Informaticando preparou um dossiê Fase a Fase com os maiores mitos sobre os videogames. Leia e decida se é hora de apertar o “pause” ou dar um “continue”. :-D

Atrapalha na escola?

desesperado

Depois de uma manhã de aulas, a obrigação manda fazer a tarefa de casa, mas o que fazer com a vontade de jogar videogame? Para ir bem na escola, a ciência aconselha: faça as duas coisas. Os jogos não dão lições de de matemática, mas exercitam o cérebro:

  • O game pode aguçar o raciocínio lógico e a criatividade.

“O jogador precisa ter uma visão global para agir localmente e pensar sempre na melhor resposta ao desafio. A rapidez do pensamento estimula o raciocínio lógico e as estratégias facilitam o processo criativo”

Diz Gisele.

  • Os games melhoram a atenção visual, mecanismo pelo qual alguns itens captados pela visão são processados, enquanto outros são ignorados – enquanto você está lendo, enxerga outras coisas ao redor, mas o foco da atenção é o texto escrito por mim João ^^. Em um game, a quantidade de informação na tela é enorme, e o jogador tem que se ligar em tudo. Essa habilidade, dizem os pesquisadores, pode ser útil ao volante, por exemplo: é importante prestar atenção na rua, na calçada, no retrovisor…

Ajuda no inglês?

Lingua Inglesa

Além de melhorar a capacidade de leitura em geral – os letreiros rápidos exigem essa habilidade –, os games também incentivam a garotada a aprender inglês para poder entender os comandos e, assim, avançar nas fases.

“Há um estimulo à aquisição de conhecimentos de língua estrangeira”

Diz Gisele.

Incentiva a violência?

Vilolento

Quem nunca jogou Street Fghter que atire a primeira pedra – ou dê o primeiro soco, voadora, chute…Em games como os da polêmica série Grande Treft Auto, é possível atropelar, queimar e até usar uma serra elétrica contra os inimigos! Mais alguém que massacra os adversários no mundo virtual pode ficar mais agressivo por causa do game? Aí é que está a maior controvérsia entre os especialistas.

“Não vou dizer que essa relação é completamente infundada. Um determinado tipo de adolescente, com uma certa história, pode querer atropelar uma velhinha depois de jogar”

Diz o psiquiatra Aderbal Vieira Júnior, da Unifesp.

A maioria dos médicos concorda que os efeitos dos games violentos variam de pessoa para pessoa – geralmente, os jovens que já tem tendência à agressividade tem mais chances de reproduzir a pancadaria na vida real. O problema é que, nas telas, não há leis, e a violência nunca é punida.

“Nos games, não há o limite social imposto concretamente como acontece no ambiente presencial”

Diz Gisele. Schwartz.

Em um estudo conduzido por ela no Laboratório de Estudos do Lazer do Departamento de Educação Física da Unesp de Rio Claro, 40 jogadores iniciantes e experientes, entre 8 e 15 anos de idade, foram entrevistados. O resultado: eles não se consideram agressivos, apesar de estarem expostos a violência na condição de jogadores.

Melhora a coordenação?

Tratamento com o NINTENDO WII

Os controles do Play Station têm mais de 10 botões e a quantidade de dados que pipocam na tela é incontável. O jogador é obrigado a associar rapidamente o que vê na tela ao movimento das mãos, o que desenvolve sua coordenação motora. Outro fator a favor dos games é a redução do tempo de reação a estímulos visuais. Em uma pesquisa, 20 indivíduos tinham que apertar um botão quando a luz piscasse. Os gamers levaram vantagem de 50 milissegundos sobre os não-jogadores. Parece pouco, mas imagine um motorista que freia ao ver a luz de breque do carro da frente. Esse intervalo pode ser a diferença entre bater ou escapar do acidente.

Até hospitais americanos tem usado o Nintendo Wii como parte da fisioterapia. Lá, os pacientes preferem fazer movimentos corporais com o console à cansativa fisioterapia. O Wii está sendo empregado em pacientes que precisam recuperar movimentos após acidentes, cirurgias ou derrames. Mas cuidado: o exagero pode render lesões por esforços repetitivos.

Distorce a realidade?

A distorção do umndo virtual...

Nos games cheios de zumbis ou monstros, é natural não encontrar nunhuma semelhança com a realidade. Mas os especialistas criticam os games considerados realistas, que, ao contrário do que o nome indica, geralmente mostram cenários distantes dos reais.

“A maioria dos games mostra avatares de pessoas brancas, bem trajadas. E a mulher geralmente é indefesa ou perfeita, como a Lara Croft. Isso reforça preconceitos”

Afirma Gisele.

Ajuda no Futuro profissional?

sIMULADOR DE VOO

A habilidade de manusear joysticks cheios de botões é requisito para alguns profissionais que usam instrumentos semelhantes a eles. É o caso de pilotos de caças e cirurgiões. Na Força Aérea de Israel, por exemplo, um game que simula voos foi incorporado ao treinamento dos oficiais. Em cirurgias laparoscópias (em que uma câmera e instrumentos são introduzidos no corpo do paciente por uma pequena incisão) ou robóticas ( com um braço mecânico guiado por um cirurgião humano), o joystick é aliado.

“A vantagem  é que o joystick gira 360º, ao contrário da mão, que tem movimentos limitados”

Diz o médico Chao Lung Wen, professor da disciplina de telemedicina da Faculdade de Medicina da USP.

“Aquelas máquinas de pegar ursinhos que há em shoppings também são boas para treinar”

Afirma.

A vantagem das laparoscopias é o tamanho da cicatriz – bem menor em relação à cirurgia tradicional. Já a cirurgia robótica é mais precisa – não treme, o braço robótico é mais certeiro e é indicado em operações em tecidos delicados, como os do cérebro.

Incentiva o sedentarismo?

O sedentarismo nos videogames

O estereótipo do jogador de videogame sentadão no sofá, se entupindo de fast food e refrigerante, está, aos poucos, saindo de cena com a crescente preocupação das autoridades com a obesidade. Games como Wii Fit, lançado em 2007 no Japão, tentam acabar com o sedentarismo – o jogo inclui atividades como flexão de braços e bambolê. Mas, mesmo que você queime calorias diante da tela, os especialistas advertem que os esportes não devem ficar de lado.

“O esporte é uma atividade completa, que, além do movimento, tem toda a interação social. Ele não pode ser substituído”

Diz Rubens Wajnsztejn, neuropediatra da Faculdade de Medicina do ABC. O convívio social proporcionado pelo esporte é mais um motivo para não trocar o futebol pelo Wii.

“Mesmo que você jogue em turma, a interação é de menor qualidade do que você pode ter presencialmente. Alguém que tem dificuldade de comunicação pode se refugiar nos videogames e evitar contato presencial”

Diz Aderbal Vieira Júnior.

Vicia?

Video Game vicia

Todo mundo sabe que videogame não contém nenhuma substancia química que vicie, mas, quando se joga – e, principalmente, quando se ganha –, regiões do cérebro que provocam sentimentos de prazer e de recompensa são ativadas, liberando neurotransmissores como dopamina e serotonina, que geram sensações prazerosas. Por isso, cuidado para não ficar viciado. Mas como detectar a dependência? Há dois sinais: a pessoa começa a ter uma sensação de perda de liberdade e começa a fazer um uso disfuncional do jogo.

“Por exemplo. quando alguém joga até de madrugada e não consegue acordar para ir para a escola no dia seguinte”

Diz Aderbal Vieira Júnior.

“Mas dizer que o videogame por si mesmo tem o poder de causar dependência é difícil. Nem a heroína tem esse poder.”

Afirma.

Ou seja, a culpa não é do game, mas da sensação que ele provoca – há relatos de pacientes viciados até em ativadas consideradas saudáveis, como ir à academia. Outros sintomas do vício são irritação, comportamento anti-social, dificuldade para dormir e para se alimentar e lesões por esforço repetitivo. Quem se identificou com esses sintomas deve procurar ajuda médica para tratar a compulsão. Senão pode acabar no Game Over:  em 2007, um jovem chinês de 26 anos morreu após uma maratona de jogo online.

Desenvolve a memória?

Sorriso[25]

Lembra o que fez no nível 5 do GTA? Se você é um gamer, é provável que recorde desse nível. Como os jogadores devem usar informações aprendidas anteriormente, os videogames ativam o aprendizado e a memória.

“É o mesmo princípio de colocar pessoas idosas para fazer palavras cruzadas. Isso não necessariamente ajuda na prova de geografia, mas fazer mal não faz”

Diz Aderbal Vieira. :-S

Fontes: Pesquisa The Cognitive Neuroscience of Video Games, de C. Shawn Green and Daphne Bavelier, Universidade de Rocherter, dezembro de 2004; Pesquisa de Christiane Javd Apresentada na Games for Health Conference de 2004 e Relatório publicado e agosto de 2007 no Pediatric Exercise Science. Reproduzido pela Revista Mundo Estranho, escrito por João Manoel, EMEFR Diogo Ribeiro.

Expressem suas ideias, falem se vocês concordam ou não com os assuntos citados, comentem!

5 comentários:

Gizaa Veiga disse...

Suuuper post!!!

Esclarece vários mitos e mostra que os games não são vilões na educação (adoro jogar e meus filhos são doidos pelo play deles), confesso que fico em dúvida qto aos limites que dou a eles mas seu artigo me deixou mais tranquila...

[ ]s

Silvio Feitosa disse...

Muito bom o post, eu, como gamer a varios anos, curti bastante.
Quanto ao limite aos filhos (postado pela Gizza logo acima), creio que o interessante é criar horas de trabalho e um horario limite para dormir...o resto é diversão XD

Anônimo disse...

que eu saiba sedentarismo e comportamento violento sao ´´habitos´´ ou costumes adquiridos de acordo com a educaçao que se tem em casa...se vc tem pais violentos que resolvem tudo na porrada, logicamente vc será um adulto violento pois cresceu em um meio sem afeto, assim como se vc tiver pais negligentes, vc tb será negligente com as responsabilidades e consequentemente sedentario...é comum hoje em dia julgar o todo por uma parte, e nao analisar uma parte para depois sim entender o ttodo

Anônimo disse...

"... 40 jogadores iniciantes e experientes, entre 8 e 15 anos de idade, foram entrevistados. O resultado: eles não se consideram agressivos, apesar de estarem expostos a violência na condição de jogadores." Tá certo, eles não se consideram agressivos, mas e qual é a avaliação da especialista?

Renan disse...

Muito bom post!!!Parabéns!

Postar um comentário

Para comentar entre na versão completa do blog!