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A tecnologia do crime

Por: João Manoel,

O arsenal das quadrilhas vai de câmeras e teclados falsos até o Google Earth e VoIP.

 

Botafogo, Rio de Janeiro. Uma aposentada de 79 anos passa sete horas sob tortura psicológica, pendurada ao celular. Criminosos que dizem ter sequestrado sua sobrinha-neta a induzem a fazer saques em caixas eletrônicos. Sabem o nome e os hábitos da vítima. O drama só termina quando a aposentada recebe um contato da mãe da suposta sequestrada, o que evita que ela entregue o dinheiro aos golpistas.

 

Santa Cruz do Rio Pardo, interior de São Paulo. Uma quadrilha clona cartões bancários de cerca de 100 pessoas. Eles instalam no caixa eletrônico um chupa-cabra, que captura as informações da tarja magnética dos cartões, e realizam saques que passam de 100 000 reais.

 

Os dois casos acima aconteceram em 2009. Os mesmos gadgets e serviços online usados para aumentar a produtividade no trabalho e no dia a dia das pessoas vêm sendo usados pelos criminosos para se comunicar com os membros das quadrilhas, obter informações sobre as vítimas (como em redes sociais, ou em Ferramenta do Google Earth pode atrapalhar ao invés de ajudar.órgãos onde existe informações da pessoa, como nesta ferramenta), planejar ações e aplicar golpes. “A  popularização da internet e da tecnologia também beneficia os criminosos, que estão fazendo o uso intenso dessas ferramentas. É a era do ladrão 2.0”, afirma o delegado José Mariano de Araújo Filho, do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), da Polícia Civil de São Paulo.

 

 

Em abril, o delegado Marcos Carneiro, que na época trabalhava no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, interrogou três rapazes que assaltaram um condomínio residencial na zona norte de São Paulo. Eles contaram que o Google Earth é usado por quadrilhas para mapear eventuais falhas de segurança nos condomínios. A prática não se restringe ao Brasil. Em Londres, na Inglaterra, o Google Earth ajudou um construtor inglês a faturar o equivalente a 400 000 reais. Ele usava o software para localizar telhados de chumbo que seriam roubados por ele.

 

“Não uso mais o cartão no posto”

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“No dia 18 de abril de 2009, entrei no site da Caixa para ver meu saldo e levei um susto. Em vez de 1 700 reais, só havia 29 reais. Meu cartão de débito tinha sido clonado. Liguei correndo pata o banco e me disseram que demorariam 30 dias para devolver o dinheiro. Achei o prazo longo. Tive de pegar o dinheiro emprestado para pagar as contas do mês. Hoje evito fazer pagamentos com cartão. Levo dinheiro para encher o tanque no posto, assim evito repetir essa dor de cabeça.”

Marcelo Nery de Souza Júnior, de 25 anos, analista de TI.

 

O VoIP é outro recurso que está sendo cada vez mais usado  pelas quadrilhas. “Os criminosos estão aderindo aos serviços VoIP porque as informações são criptografadas”, diz Araújo, da Polícia Civil de São Paulo. Para a polícia, interceptar os dados em pacotes na internet não é tão simples como fazer um grampo telefônico. Porém, há casos de desbaratamento de quadrilhas que se comunicavam pela web, diz o delegado do Deic. “Já foram descobertas centrais de VoIP dedicadas a grandes quadrilhas”, diz o delegado Carlos Eduardo Sobral, da Polícia Federal do Distrito Federal.

 

Orkut: Cuidado com o que põe lá!

 

“Hoje não se faz investigação sem olhar para a internet”, diz Marcus Vinícius Lima, chefe do Serviço de Perícia de Informática da Polícia Federal. Ele alerta que é perigoso expor informações pessoais na web, em blogs e redes sociais. O delegado Araújo concorda. “Muitas vezes o criminoso conhece bem sua vítima, vai executar o golpe sabendo informações que encontrou facilmente na internet. É a velha engenharia social”, afirma.

 

Linha direta do presídio

 

De posse dos dados pessoais da vítima ou não, muitos criminosos continuam a usar o celular para aplicar golpes. Simulam seqüestros e pedem resgate ou anunciam algum benefício, por chamada de voz ou SMS, induzindo a pessoa a fazer depósitos bancários ou até encontrar pessoalmente o criminoso para entregar o dinheiro. Em algumas ocasiões eles convencem a vítima a comprar créditos de celular – nesses casos, geralmente, são presidiários que falam a partir de celulares que entram ilegalmente  na penitenciária. “Eles querem créditos para continuar a fazer ligações e comandar as facções criminosas mesmo de dentro do presídio”, diz Rafael Farnese, chefe da seção de perícias de informática da Polícia Civil do Distrito Federal.

 

Moradora de Peixoto de Azevedo (MT), a assistente administrativa Maria Costa Filha, de 56 anos, recebeu no celular uma ligação de um homem que se identificava como funcionário do SBT e anunciava que ela havia ganhado um carro e uma casa. “Ele disse que eu precisava fazer um depósito para poder retirar o prêmio”, diz. Maria fez sete depósitos que totalizaram 1 500 reais e só passou a desconfiar quando eles começaram a insistir para ela fazer o oitavo depósito. Informalmente, os policiais disseram a Maria que o golpe foi realizado por presidiários. “Fiquei no prejuízo.”

 

 

Os celulares são tão valorizados dentro das penitenciárias que vale tudo para fazer a entrega. Em maio, um grupo fez uma tentativa de usar um helicóptero de aeromobilismo (de brinquedo) para levar aparelhos para a Penitenciária de Segurança Máxima de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Nem sempre a tecnologia é de ponta. Em abril, descobriu-se que detentos da Penitenciária de Marilia (SP) recebiam celulares por meio de pombos-correio.

 

Bloqueio adianta?

 

Para evitar que criminosos usam celulares roubados, as operadoras de telefonia móvel bloqueiam os chips. Também é possível solicitar à operadora o registro do furto, roubo ou perda no Cadastro de Estações Móveis Impedidas (Cemi), um serviço que possibilita a inclusão do número de identificação do aparelho em uma lista, consultada por todas as operadoras GSM. Dessa forma, o equipamento não poderá mais ser habilitado no Brasil.

 

Isso não resolve o problema. “Com documentos falsificados eles conseguem comprar e habilitar celulares. E a operadora não tem como checar se os documentos são verdadeiros”, diz Araújo. Segundo o delegado, o problema é que não é possível garantir que o usuário do celular é seu dono. “Mas há técnicas que permitem rastrear um aparelho, verificando a potência do sinal que está chegando à estação radio base”, diz.

 

Falsificar documentos ficou – infelizmente – mais fácil com a popularização dos PCs e da internet, afirma a perita Ivete Silva Rocha, diretora de perícia interna do Instituto de Criminalística da Polícia Civil do DF. “Antes era preciso ter conhecimento  de gráfica para conseguir um bom resultado. Hoje, basta ter computador e impressora”, diz. Segundo Ivete, é fácil encontrar no mercado informal CDs que contêm arquivos de imagem de variados tipos de documentos, preparados para serem preenchidos com os dados que o falsificador desejar.

 

 

No CD vêm de brinde dois programas,  uma para criar o dígito verificador do documento e outro para fazer o código de barras. “O vendedor não consegue detectar a falsificação”, diz a perita. Por mês, ela recebe de 150 a 250 casos deste tipo para examinar.

 

No caixa, com o chupa-cabra

 

A clonagem de cartões de débito e de crédito também continua em alta. “Temos percebido uma migração das quadrilhas para esse tipo de atividade. O crime organizado está arregimentando pessoas com conhecimento”, diz Araújo, da Polícia Civil de São Paulo.

 

Muito se 98033199fala da obtenção de senha pela internet, por meio de pishing scam e outros golpes virtuais. Porém,, não basta proteger seus dados na web: nos caixas eletrônicos e nos terminais de pagamento em estabelecimentos comerciais os chupa-cabras capturam as informações.

 

Há diversos tipos de chupa-cabra. Um dos mais sofisticados é um equipamento sobreposto à tela e ao teclado do caixa eletrônico. Ele simula a tela original e captura as senhas digitadas no teclado falso. “É um notebook camuflado”, diz a perita Janine Zancanaro da Silva, responsável pelo serviço de pericias em audiovisual e eletrônicos da Polícia Federal do DF.

 

Outra forma de roubar os dados é adotar um bocal falso com memória interna, colocado no local onde é inserido o cartão, explica a perita Janine. Nesse caso, ele não consegue capturar a senha, apenas os dados da tarja do cartão. Para pegar a senha os criminosos colocam câmeras discretas que são inseridas perto do caixa com fita adesiva. Em alguns casos, os bandidos embutem a câmera em suportes de panfletos, que são aderidos à parede e retirados depois para pegar os arquivos de vídeo. Ou então adotam a tática tradicional da bisbilhotagem. “Muitas vezes os criminosos misturam técnicas para tentar descobrir a senha por combinação.”

 

O Bradesco adotou sensores em 32% dos seus caixas eletrônicos que desativam a máquina caso algum objeto seja sobreposto ao ATM. “Estamos protegendo as regiões mais críticas. Em um ano todo o parque está coberto”, diz Laércio Albino Cezar, vice-presidente de tecnologia do Bradesco. São mais de 30 000 caixas de auto-atendimento no país. O banco também vem usando sistemas de biometria, que identificam o cliente pela palma da mão.

 

O portátil chupa-cabra de mão, do tamanho de um maço de cigarros, também é bastante utilizado, segundo os peritos. Para pegar as informações, basta passar o cartão de crédito nele. A perita Janine explica que o equipamento nada mais é que um leitor de tarjas magnéticas que é vendido para funções honestas, como leitura de crachás, por exemplo.

 

Funcionários no esquema

 

Em muitos casos, funcionários de estabelecimentos comerciais são aliciados e permitem que criminosos instalem dentro do terminal de pagamento um chupa-cabra, segundo Eduardo Dadhum, sócio da Horus, empresa especializada em prevenção a fraudes em meios de pagamentos. “Não adianta investir em tecnologia se a falha está no processo”.

 

 

Roberto Medeiros, presidente da Redecard, afirma que adota uma tecnologia de segurança para combater o problema. “Qualquer tentativa de violação trava a máquina”, diz. Sistemas neurais são utilizados para tentar detectar fraudes em cartões de banco pelo CSU Cardsystem, processadora de meios eletrônicos de pagamento de bancos como HSBC e Nossa Caixa. “Se uma compra está fora do padrão registrado no histórico do cliente, ou se as compras são realizadas em diferentes regiões do país, existe a chance de o cartão ter sido clonado”, afirma Wanderval Alencar, diretor executivo da CSU Cardsystem.

 

Segundo Daghum, da Horus, o cartão com chip é mais seguro, pois tem itens de segurança como a criptografia. Mas como os cartões com chip também tem tarja, ainda oferecem a chance de clonagem. “Na França todos os cartões usam somente o chip, mas a fraude migrou para o e-commerce (lojas virtuais). O ladrão sempre vai pelo caminho mais fácil.”

 

Fonte: Dicas Info. Readaptado.

 

Nosso post termina aqui. Esta tendência que é os crimes eletrônicos nada melhor do que você saber como funciona. Pelo menos para se prevenir. Comente dizendo o que acha, se já passou por algum constrangimento por parte destas ações. Opine.

4 comentários:

PrIguiça. disse...

Mais que a pura verdade...

temos q ficar em alerta em tudo

Tereza disse...

Minha mana foi vítima de uma máquina chupa-cabra... E o interessante, ela estava instalada num caixa 24h do banco. O dinheiro que foi retirando da conta dela só foi restituído pq foi provado que ela não tinha como está em dois lugares ao mesmo tempo. O saque foi realizado em São Paulo. As agências bancárias deveriam pensar numa maneira de dar mais segurança aos seus clientes. Quanto aos telefones celulares, nós mesmos demos brecha a bandidagem ao solicitar o desbloqueio dos celulares. Quando bloqueados, ao menos, tem uma chance bem remota de encontrar o bandido. É isso aí! Parabéns pelo post!

geanps disse...

O grande problema dos celulares é o fato dos presidiarios estarem usando eles, o q deve ser feito, é instalar antenas que "tranquem" o sinal do celurar nos presidios, esta tecnologia ja existe, e não sei o pq ela ñ eh colocada em pratica, afinal ñ eh algo tao complicado assim, outro coisa q ajudaria bastante é obrigar os advogados a passarem pelo detector de metais, assim evitaria muito a entrada de celulares em presidios. Quanto aos cartões de credito, oq deve ser feito eh aumentar a segurança nos bancas, afinal ñ eh uma coisa tao simples instalar um chupa-capra em um caixa eletronico (ñ q eu saiba como eh mas imagino q ñ deve ser facil), e se o problema eh as pessoas q trabalham no banco, entao basta fazer uma entrevista com elas em um detector de metais.
Axo q meu comentario fikou um poko longo, mas eh isso ai!

Anônimo disse...

90% do crime existe por negligencia do nosso governo, por negar estudo, alimentação e moradia para milhares de pessoas carentes. Quando o politico rouba milhões do povo, nós sofremos a consequencia com a violência. O povo deveria se armar e buscar quem realmente faz o mal para sociedade.

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